SANGUE URBANO
Restou-nos a medula: Rio de Janeiro e suas vísceras todas à mostra, enfim Tomba o corpo de um poema 70% água, 30% medo a bala atravessada na garganta as veias abertas da cidade num coração que ainda pulsa
Restou-nos a medula: Rio de Janeiro e suas vísceras todas à mostra, enfim Tomba o corpo de um poema 70% água, 30% medo a bala atravessada na garganta as veias abertas da cidade num coração que ainda pulsa
é ofício de mulher construir morada: verbo sobre verbo mão sobre mão da linha sai um verso rasgando o signo constrói uma pilastra e uma fundação antes que se dê conta formam-se treliças estrofes de aço como devem ser as vigas são línguas lambendo sentidos é áspero e acetinado o seu revestimento fazer da palavra casa onde se mora e se deita onde se acha e se chora sem culpa e sem demora fazer da palavra casa onde o sonho é possível onde o abraço é abrigo e o amor é asa
colhi uma porção de malmequeres sem plantar uma só flor de cansaço sob um sol quente de mil clarices eu ando, eu-aço, eu asso asso asso de repente onde chorei mágoas nasceu um pé de saudade torta da branca, da roxa e da dobrada pétalas e pétalas de natureza morta de repente eu bato na tua porta bem me quer, mal me quer? se me queres, se tu queres meu bem querer, meu bem bem-te-quero, bem me quer? bem-me-quero, bem te quis plantações inteiras, internas hectares de despedida de repente malmequeres ornados de palavras vazias sejam tudo o que restou no chão de terra batida
As estrofes foram organizadas para preservar a leitura do PDF original.
Baixar o PDF completo