* Água que brilha na areia Na beira do mar Sol da manhã Que clareia o Meu caminhar Brancas as ondas Que quebram E ao Todo se integram Eu sobre a pedra Me sento E me sinto poeta Quero que o mar Me ensine a cantar Cantigas escritas a mão Com o suór do sol E o frescor da água fria E louvar a praia Templo de cura E calmaria * Cidade maravilhosa Demasiada mafiosa Que impulsiona a guerra quente E co-manda o vazamento vermelho De sangue, medo, ganância e terror Gerando na gente um certo torpor Diante do horror Rio de choro e chorume Tem por costume festejar A vida para contrabalançar a morte Tal como um desfile de carnaval Que tem num bicheiro, o aval Que disfarça em alegoria real A lei sempre além Do bem e do mal É nesta mesma cidade Que escolhi viver E que me acolheu Com sua música, morros E me abraça com a mata e o oceano Atlânticos Que ressoam tão quânticos E onde aprendo que a Vida É feita de guerra e paz E no fundo vivo a inventar um faz de conta Para dar conta de tanta contradição * Útero Casa primordial que irriga e alimenta o ser semente Com líquido e placenta Corpo Abrigo de orgãos, Vísceras, líquidos Emoções, pensamentos O ser em botão Caverna protege o ser selvagem Oca Agrega o Ser tribal Casa grande e senzala Quando o ser Se perde no ter Casebre chopana Cabana barraco Favela mansão Sobrado Prédio Edifício Quando o ser Se fragmenta quer o céu E perde o chão Casa no campo Casa de praia Casa na árvore Casa na cidade Casa Planeta Terra 38 38
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