Ana Dilah

3 poemas nesta seleção

IMERSA

seres estranhos, os poetas, espalhados pela cidade

                                curiosos  infantes
                                desbravam  memórias
                                descobrem a  história

puxam  o cobertor  em dias de frio.

fez frio

veio  da chuva meteórica  em rota vertiginosa
fugi, me escondi  subi
o  117

Bispo

poetas vivem dá escassez
                                              às  vezes
do amor  muitos mútuos

morri

foram  dias de escassez  de sentimentos
os bons
não tem vez
MIX  de centrífugaS  sensações

não podia, não devia, tampouco queria
tão pouco tão pouco
mas sonhei  poesia
mas? MAIS MAIS MAIS

sobrou  foi poesia
poetas são colo casa caminho de abrigo
para tempos difíceis
sonham embalados por memórias

ontem fiz sete anos e minha mamãe não veio me cobrir

já tenho cobertor.
— QUER ?

NADA PASSOU, NEM PASSARINHO

quando criança brincava de Três Marias
vulgo pedrinhas

rogo DEVOLVE-LHE A INFÂNCIA

na  terra batida,  de  pés  descalços
brincava de amarelinha

não existiam os paralelepípedos  lhe desenhando
                   mosaicos  em  mais de 50 tons de cinza

subindo lentamente pelas  paredes

emparedado vivo
morre  hoje um pouco todos os dias.

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