Cacos Malta

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A GANÂNCIA E A NATUREZA

44A GANÂNCIA E A NATUREZAuma vez eu viuma tartarugamarinha quedepois de umlongo diavoltou edeitou-se sobre seu grandetronode rochas e coraisebocejougostososatisfeitadepois dissoalguma coisa mudouem mim

O ÚLTIMO SONHO

45O ÚLTIMO SONHOqueimo as cartas de amorpara manter as chamas da mentee você num sono profundosonha com minha morte iminentedesapareço no invernono verão a chuva prepara suas facasmemórias falham eternocorpos e profecias falsasrecebo todas as flores do bem e do male as uso de escudoa serpente e o surdo-mudopermanecem no paraíso, afinalfecho os olhos sujos de lamasobre a terra que lágrimas derramado antes e depois, nada ganhei a vida inteiratambém nada foi perdidoflutuo em minha caixa de madeirano oceano de poemas nunca escritos.

JOANA

46JOANAo cabelodiamante negroos dentes tortosna bocaentortada de prazerseu jeans azulcintura altavocê disse que era cariocada casca; disse duas vezes porque achouque eu não tinha escutadoe tocou aquela músicaque você sabia a letrae eu tambéme cantamosera um filme em preto e brancoe ficamos presos...presos no elevadorpresos um no outrovocê me aprisionoue falavae falavae falava até durante o sonoe o cabelo antes iaaté a cinturaagora só vaiaté os ombrosonde foi pararessaparte de você?
47seus olhos como vulcõesolhos de magmaolhos de cristoe cristaise como cristodebaixo da terra por 3 diasvocê me puxoude longede costas pra mimde frente pra mimo silêncioo s i l ê n c i oo s i l ê n c i oe todas as suasfloresmortasno chão.

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