Eduardo Castro

Poemas da antologia, organizados na página para preservar a leitura original.

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DUAS RODAS

64DUAS RODASCom capacete de antolhosno meio dos carros,dos ônibus.No corredora acelerar.Se apressa em chegar.Pista, túnel, ladeira, pista.O trabalho lhe espera.Um semáforo quebrado ea rua esburacada,brigaram com a marchae com a mola.Elas diminuíram seu tom.Da quinta pra primeira,em plena quinta feirapôde perceber:que da rua do trabalho podia ver o sol atardecer e que precisava, com urgência,abastecer.

ESCRIVAÇÃO

65ESCRIVAÇÃOEscrevo como respiro.Às vezes,sai num espirro; noutras,asfixio.Outro diative alergia na escrita.As palavrasvieram aos montes eme empolei. Quando dei conta,estava todo me coçando.Pensando bem, também tenho rinite da memória.O tempo muda,e se escrevo muito sobre o passado,me ataco.Com inspirose expiros,combato.Quanta poeira!

LÁ(R)

66LÁ(R)Morei numa suíte luxuosa.Pra minha sorte,não pagava aluguel.Lá, tinha tudo o que precisava.All inclusive!Comidas e bebidas,à vontade,todas que eu quisesse.Quase como mágica,eu criava um sabor que gostaria de provar,e lá estava.Eu me exercitava também. Cambalhotas de ginasta,chutes de karatê,jabs de boxee uns giros de capoeira.Há quem diga que eu era bom nisso.A temperatura era agradável,quente e acolhedora.A iluminação deixava a desejar,tudo muito escuro.Inclusive,penso em fazer uma avaliação,talvez pra considerarem meia-luz.
67Pois minhas fotos,daquela época,lá,são somente um borrão mexidoem preto e branco.Mas na verdade,eu não lembro de nada disso.Só sei porque minha mãe me contousobre como foi ser meu primeiro lar.

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