casa
casa estrada casa
casa de sonhar de casa
casa 19 moradas que são uma morada casa
casa janelas para todas as minhas vidas janela casa
casa não busco mais endereço busco em mim centro casa
casa paredes são minha pele a flor da pele casa
casa carrega lágrimas risos carrega casa
casa de dentro de mim casa
casa casa
NAS ENTRELINHAS DA CIDADE
Choque choque choque
escuto o trem que se aproxima —
Estação Desespero.
Olhares-lanterna miram o vagão,
cotoveladas, gritos, empurrões.
Nota mental, pra ver se a palavra
amortece o impacto.
Choque choque choque
próxima parada: Estação Medo.
Os trilhos cortam a realidade,
a vida dispara em manada.
Escrevo o ruído, mas quem lê
ouve o mesmo som?
Choque choque choque
Estação Incerteza —
o silêncio é ensurdecedor.
“Desembarque à direita!”
“Desembarque à esquerda!”
Tanto faz: não há direção.
Rabisco versos no vidro embaçado,
pra ver se a cidade me responde.
Choque choque choque
segue o trem ligeiro,
Estação Esperança.
Nunca morre,
e sempre tem cheiro de sangue.
Mesmo assim,
continuo escrevendo.
CAMINHO É FEITO DE PEDRA
PEDRA
SOBRE PEDRA
PEDRA SOBRE
PEDRA É PRINCÍPIO
As estrofes foram organizadas para preservar a leitura do PDF original.