ENTREGADOR DE CAMÉLIAS
82ENTREGADOR DE CAMÉLIASPés marchando sobre o chão quente dos cascalhos,nas noites frenéticas da existência,Respirando o lodo da ignorância,o frenesi das conversas sem remorso.A pintura escamoteada da realidade,na ausência dos bastidores do existirA carne sem manifesto,embalando em som murmurante o lancheque já não é só uma voltinha nas ruas de casa.A flor branca de alvura ainda lutano copinho de água que vovô coloca aos pés da santa,nas memórias de vovó na hora da janta,nos sítios arqueológicos.Resiste a flor nos novembros negros,na ida e na volta do trabalhador.Sem reparação, a favela cresce,permeada pela injustiça históricaLuta a flor na guerra climática.