LINOTIPO
100LINOTIPOPalavra-barro –quando escrita ou ditainicia sua lida:dar ao volátilum palpável corpo,massa que se apanha com mãosde pensamento.Palavra-pãono forno da línguaem destrezas de artesãofermenta e toma formasemeia sentidos até sublimá-lospela turva compreensão– sentidos que nem fazem,obliterados que foram da razão.Tinta marcada em pele de papelTipografia, palavra-carimbo,decalque do que será, e sempre– ou do que já era, sónão tinha nome – ainda.E nome não se dá: nome recebe.Então,na forma da palavra disformedá-se o milagre:desenhos de retas e curvasa que damos o nome letrase juntam– nunca em vão, não sem vãos –e produzem significado.
101Não abandonam, no entanto,sua gênese – a incompletude,todo o mistério: seu encanto.