Paulo Sérgio Kajal

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AS CIDADES E AS SOMBRAS (Parte I)

106AS CIDADES E AS SOMBRAS (Parte I)Os olhos da cidade te espreitamToda cidade é uma sombra de si mesmaBosques, ciladas, cruzamentos, becosEm cada esquina as cidades se parecemNo refúgio das sombrasNo gosto de sangueE no cheiro de sexoSegue o rio de asfalto o veneno da cidadeDa serpente a tocaia da feraTodo covil o holograma de um becoTodo beco é uma bocaque te felaa secotodo becoé umabocaque te felaa seco

AS CIDADES E AS SOMBRAS (PARTE II)

107AS CIDADES E AS SOMBRAS (PARTE II)Há andarilhos que buscama luz das cidadesEu não.Busco os dois lados da moedade preferênciao sombrioa umidade das relvas das praçasa nudez das névoasas folhas secas queencobrem os perigoso não-ditoo bendito inesperadoo insólito o degeneradoo uivo dos lobosa luminosidade cínica da luao encontro dos vampirosa vela acesao encontro do amore da valao carinho no escuroo afeto dos desesperadosNa cidade o amoré um objeto voadorainda não identificadoPara os que não me compreendemé nas sombras que encontroa possibilidade de ver Deuse me entregar

AS CIDADES E AS SOMBRAS (PARTE III)

108AS CIDADES E AS SOMBRAS (PARTE III)um novo velho Chaplincaminha pelo viadutoque triste caiem direção ao horizontede um antigo e novofim do mundoo fim do viadutoé o fim do fimdo fim arco írislá há um pote de vidromoeda de 25 centavospedra de diamantepedra de cracknuma bolsa de desvaloresdebaixo do arco írisos corpos se misturamas almas se transmutamlatas vazias, níqueisrestos de desodoranteo arco viaduto segue a direção do mundofeixes de luzíris de sombrasum novo Tirésias de olhos abertosencara a grande serpenteque suspende o mundo em si

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