QUEDACIDADE
134QUEDACIDADEQueria cantar "Madureira",o samba de Arlindo Cruz.Mas a cidade está mortífera,e nem o batuque seduz.Fizeram a passagem pelo Cruzeiro.—Nossa Senhora da Penha,livrai-nos do mal!—Sacos pretos,um formigueirode sonhos virados em lixo colossal.Pilhas de corpos entulhados.Cadê a maravilhosa cidade?O sol que dourava os corpos cansados,agora,na mesma luz, acelera a decompocidade.O baile funk calou sua fala.Fumaças negras brotam da quebrada.O estrondo que ensurdece avisa:aqui,a vida é coisa arriscada.Quero de volta a sagacidadedo ritmo que sabe encantar:"Favela!Tu és meu lar!”