Cyro Eduardo

Poemas da antologia, organizados na página para preservar a leitura original.

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CALCÁREO MÓRBIDO

56CALCÁREO MÓRBIDOLápide exposta.Implícito que me fui.Célere existência.Fui rocha,Minério e essência,Como a lápide.Paralelepípedo bruto,Após retífica,Vértices abaulados.Resisti às intempéries,Com atrito e combustível,Fagulhas inóspitas,Incêndios catastróficos.Resiliência tenaz,Momento epifânico.Gárgula cadente.Ação demoníaca,Corpo acéfalo,Esvaio no féretro.Fúnebre efeméride.Epitáfio cósmico.Metafísica filosófica.Pá.Pó.

NÃO LEIAM

57NÃO LEIAMAmaram. Conceberam.Concebido, nasci. Nascido, nutriram. Nutrido, cresci. Crescido, vivi. Vivido, morri. Morto, nutri. Nutrindo, conceberam. Concebidos, pois sim. Mais um ciclo de efemérides é iniciado.Ou não.Sem fim, talvez.Quando? Tanto faz.Hoje é o ontem do amanhã. Fui.Disse para não ler. Não é um poema de mestre.São só fragmentos.Despretensiosos.Da (in)existência material.

MANSÃO FRUGAL

58MANSÃO FRUGALMeu conjugado tem quintal.Vista livre para o prédio vizinho.A piscina é um balde plástico.A rede é um sofá gasto.Sou o proprietário, mas o aluguel está atrasado.Tirando barulho da avenida,Bem silencioso.Clima de montanha, durmo nu.Molho a toalha e resfrio o corpo.Minha casa é tudo o que tenho.Eu mereço!

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